Eco Turismo? Melhor o turismo regenerativo!

Já não chega o turismo sustentável, o futuro é ao ´turismo regenerativo

 

Não podemos concordar mais com a declaração da especialista britânica Anna Pollock (consulte o artigo). “O pensamento eco sustentável no turismo mal entrou e, ao mesmo tempo, já é obsoleto. Porque? Porque a sustentabilidade tem tudo a ver com limitar o impacto negativo. Já é bom, mas isso não chega … a única coisa que realmente funcionará é causar um impacto positivo. “

Vemos muitas alojamentos e outros serviços turísticos se elogiarem com termos e marcas de qualidade como ´sustentável´ e ´ecológico´.  “Ah, que bom!” foi o nosso primeiro pensamento. Enquanto isso, aprendemos que infelizmente, em muitos casos, é só uma abordagem de marketing útil.  Chama se ´Green washing´ – apresentar a tua empresa como se fosse ´amigo da terra´. Para criar um bom imagem, para cativar os turistas mais responsáveis, para ser ´trendy´ ou  para fazer de conta que o turista já não tem de sentir ´vergonha de viajar e voar´ – algo que surgirou recentemente – porque reservou alojamento num eco lodge e assim, já está a compensar todo o que viajar leva de mal.

Eco é mais do que colocar uns painéis solares

Na realidade, muitas vezes se resume a um conjunto de painéis solares para a água quente e seperamento do lixo. As muitas vezes, o pensamento ecologica nem está na base – mas sim economizar nas despesas díarias ou até receber um apoio de subsídio do governo.

Enquanto isso, os hospedes deles ligam o ar-condicionado o dia todo no quarto, ou o aquecimento central dá uma temperatura ‘muito aconchegante’  ou a salamandra está a trabalhar, enquanto estamos com uns 25 ou 30 graus. Claro que a piscina também é aquecida, até no verão – e tratado com clorada e outros químicos.  As ervas daninhas são destruídas com veneno para o jardim ficar ´mais bonito´ e ´mais cuidado, mais arrumado (lá vai a biodiversidade, todos os gafanhotos, besouros etc., depois haverá menos pássaros como já não tem tantos insectos para comer, a vida no solo diminua, e assim a fertilidade. Ainda por cima, o veneno não só entra no solo mas tambem na agua, e na horta e assim.. no nosso corpo ..)

Desenvolvimento turístico é bom? para quem??

Em vez de descobrir e desfrutar tudo que há de bom na aréa imediata, ´os hospedes internacionais facilmente fazem 100 ou 200 kms num dia para não perder ´os deves ver´ pontos turísticos. Passam umas horas numa cidade grande e fantástica, mas quais centro histórico quase já só tem airbnb e lojas de lembranças. Como consequência, os habitantes originais, os locais, já não tem como pagar a renda que tornou se exorbitante, nem aonde fazer as compras.  Falando das compras: sabia que muitos turistas nem entram num mini-mercado? Ou compram algo na feira semanal? Nem escolham um produto nacional? Vão ao Continente, oa Pingo Doce. Porque é mais fácil, há mais espaço de estacionamento, há mais escolha, não fecham ao meio dia etc.

Temos que fazer melhor – É hora de retribuir

 

O turismo sustentável já é bom, já um passo para frente …. mas poderia ser muito melhor. Temos que fazer melhor se queremos justificar nossas viagens. É hora de retribuir. A especialista Anna Pollock explica como o que o turismo regenerativo implica:

Um turismo que retorna ao destino, concede a mais pessoas um papel e permite que as pessoas locais colhem os benefícios do turismo. Ainda por cima, o Turismo Regenerativo literalmente contribui para a restauração do planeta.

 

Cada um sabe onde o sapato aperta

Não só os viajantes sabem. Nós, os hospedeiros, nos também sentemos que o sapato está beliscando.  Pessoalmente, estamos apaixonados pelo que fazemos, pelo nosso lugar, pela região, pela natureza, pelo povo. Gostamos muito que os nossos hóspedes estão em contacto pleno com a natureza, a população, tradições, cultura e costumes. Mas não à custa deles. Nenhum fim justifica os meios desvantajosos.

A maioria dos hóspedes percebem perfeitamento que o nosso “plano de negócios” não está virado ao crescimento mas sim, prevê uma redução! Porque  é precisamente o turismo a pequena escala que garante um contacto próximo e uma profunda conexão com a região, uma paixão que um bom anfitrião sabe transmitir aos seus convidados. Uma consciência da qual esperamos levar um pouco para casa.

Alguns não entendem. “Porque menos? Está a correr tão bem, tem de se aproveitar e construir mais bungalows, mais um restaurante mais um.. e mais! ”. Do ponto de vista econômico dos negócios, ‘maior’ e ‘mais’ devem de fato ser a palavra-chave.  Porque qualquer um sabe que o retorno nos investimentos no meio rural é de longo prazo: os custos são mais elevados, e a época de reservas é mais curto, especialmente aqui no Norte. Ainda por cima, os hospedes são cada vez mais exigentes. Mesmo numa casa rural simples, requesitam 1001 serviços: bar, restaurante, animação, café de manhã, pequeno almoço, guias, atividades, taxi, lavandaria, televisão, forno, internet etc. Para poder oferecer esses 1001 serviços, é preciso um rendimento que justifica e permite pagar as infraestraturas, o espaço, o equipamento e os empregados… E para chegar ao tal rendimento, é preciso focar se na quantidade, em vez de qualidade.  Pensando assim, é quase inevitável que se constroi  ‘parque de férias completo’ de raiz.  Destruindo a natureza, e motivando os hospedes de ´gastar o dinheiro todo no parque´ , perdendo as avantagens que o turismo pode trazer a população local  (eles são só bem-vindos para trabalhar ao salário mínimo).

E o Eco Lodge Cabreira, o que já faz e vai fazer melhor?

 

No entanto, já estamos fazendo as coisas de maneira diferente. Não queremos apenas “tomar” do nosso lugar, queremos “compartilhar” e retornar. Para todos e tudo o que torna este local tão bonito. Em parceria com os nossos hospedes, isso já é possível através de pequenos passos. Por exemplo:

  • Construção natural e sustentável  (cabana de palha, casa de madeira)
  • Fossas sépticas (e assim, só usamos produtos naturais para limpeza e lavagem)
  • Plantar uma árvore para cada reserva ou criança
  • Vender produtos caseiros e biológicos locais
  • Só comprar local e biológico
  • Incluir a sabia gente da terra nos meets & greets, caminhadas, workshops e excursões
  • Recomendar os restaurantes típicos com própria produção de carne (animais de monte: saudáveis e felizes)
  • Pedir aos clientes de fazer as compras só nos mini mercados, talhos e feiras semanais em vez de grande superficies supermercados.
  • Disponibilizar muita informação sobre o que ver e fazer aqui perto na Serra da Cabreira e no Geres (assim que não andam centenas de kilometros no carro)
  • Em vez de uma piscina, um tanque com água cristalina de nascente de monte, sem químicos
  • Baixo consumo de eletricidade (até nem temos maquina de lavar loiça, tudo a mão)
  • Manutenção to terreno, claro, sem veneno.  Limpamos as silvas a mão aonde destorbem, e deixamos algumas para os passaros e nós comemos. Sementeia de adubos verdes e plantas meliferos. Só adubo natural, dos cavalos e de compastagem
  • Earth Restoration workshops e atividades como retenção de água pluvial, restaurar a vida no solo, augmentar a biodiversidade, criando um ´food forest´ (bosque alimentar)

Passo a passo mas… o hóspede também deve querer contribuir

O idealismo é bom, mas deve permanecer viável. Se é ou não é, depende muito do  hóspede. Da conexão do hospede com a natureza. Da  responsabilidade que  ele / ela sente pelo bem-estar do nosso planeta, pela nossa sociedade? Infelizmente, vemos e ouvimos com muita frequência que palavras como ‘ecológico’ e ‘sustentável’ são principalmente tendências, um hype, quase uma correção social e política. Em palavras, às vezes palavras altas. Mas nem sempre em ação. Quando se trata de conforto pessoal, conveniência e diversão, as ações as vezes se desviam das palavras e das ideologias.  Nos redes sociais falam se com muito entusiasmo sobre alojamentos sustentáveis mas uma vez que o turista chegou no local das férias, todas as boas intenções são esquecidas. As compras não são feitas na loja local, mas na grande cadeia de supermercados estrangeira (resultando na perda de pequenas lojas … e mais vagas). Onde então são feitas muitas compras (em plástico!). Todos os dias são percorridos pelo menos 100 km, de cidade em cidade, de parque aquático para o  parque de aventura. Talvez sera possível pedir ao hospede de separar o lixo, mas já não de utilizar uma sanita seca de compostagem. A manutenção ecológica do terreno parece divertida, burros e cavalos a solta no terreno também. Mas nem todos os hospedes gostam das amoras a crescer porque acham isso ´selva, não cuidado´. Nem falo do estrume dos cavalos..se isso não foi removida imediatamente. Você percebe, a lista é longa …
Como proprietário de um alojamento com aspirações écologicas, esse é um grande desafio: encontrar o equilíbrio certo entre conforto, diversão, experiência e conveniência para o hóspede e a melhoria da natureza e da comunidade. Aqui no Eco Lodge Cabreira, temos sorte, muito sorte: 99% dos nossos hospedes são amantes da natureza, cuidadores da terra mãe. O que torna a realização da nossa visão muito mais réal. Obrigado!

Entendemos que o turismo regenerativo em pequena escala só é possível em colaboração com o ‘hóspede regenerativo’. A boa notícia é que existe. Cada vez mais. Amantes conscientes da natureza e da cultura. Muitos deles já são “amigos do planeta” em suas vidas diárias. Eles também costumam estar “ansiosos para aprender”. Aprenda com interesse sobre os velhos hábitos e costumes, aprenda a olhar com olhos diferentes. Certamente aqui nas montanhas do norte de Portugal, o agricultor ainda é antiquado e em pequena escala, as parcelas são de difícil acesso e a natureza tem outra chance. Há muito a aprender com isso.

juntos podemos fazer muito mais

Qualquer projeto começa com um sonho. Já percorremos um longo caminho com a Quinta Rural. Da maneira mais difícil e por conta própria, mas também (em parte) para seu próprio ganho. Em parte, porque grande parte de nossa receita vai para a restauração do solo, a colheita de água e o plantio de árvores. Mas pode se fazer muito mais, muito melhor. Você também está curioso sobre os nossos planos de sonho? Ou você quer saber como pode contribuir pessoalmente? Continue seguindo-nos, no site e no facebook. Em breve seguirá, entre outras coisas, o anúncio de nossa participação no projeto Travel4Nature, 100% de turismo regenerativo, porque nos comprometemos a usar totalmente os recursos provenientes de locais de acampamento da natureza para restauração da natureza.